Segue em primeira mão o prólogo do segundo livro da Trilogia das Cartas, o Versos Sombrios...
Podem ler sem medos, ele está livre de SPOILERS, mas ainda não foi 100% revisado!

Prólogo
ABRIL – 2010
Lolla acordou sobressaltada, com a respiração ofegante. Estava na hora.
Colocando seu robe delicado em seu corpo pequeno, porém ainda muito rígido e forte mesmo próximo da morte, ela desceu as escadas de sua casa com o máximo de pressa que suas pernas cansadas permitiam e foi para seu escritório. Tentou não fazer muito barulho porque era madrugada e Cailey e Tatianna ainda dormiam.
Há uma semana atrás ela tivera o mesmo sentimento, como se o coração estivesse prestes a saltar pela boca depois de um sonho. O primeiro sonho fora com Faith, suas flores e o belo homem no cemitério. Não era exatamente claro, não era exato, mas se tornaria real. Ela sabia, sentia e conhecia seu dom, seus sonhos e seu poder. Assim como conhecia os poderes de suas meninas, mesmo que elas sequer os compreendessem. E Faith já tinha sua carta pronta, guardada dentro de uma gaveta, aguardando ser entregue por Thomas na data estipulada. Era a vez de Cailey.
Sua pequena Cailey, a que se julgava tão forte, mas que na verdade era frágil como uma linda taça de cristal.
Cailey ainda era uma menininha, dentro do corpo atraente de uma mulher. O corpo que ela conhecia e usava tão bem para seu próprio prazer. Porém, ela se esquecia que tinha um coração e uma mente privilegiadas. Uma mente que lhe fornecia as palavras certas, nas horas certas. Não que ela sempre soubesse o que dizer. Não! Mas sabia o que os outros precisavam ouvir. E o destino se encarregaria de fazer com que ela odiasse aquele corpo, para que pudesse valorizar a própria pessoa que era por dentro.
Escrever para Cailey não seria fácil. Seu poder de interpretação era muito grande e ela poderia julgar as palavras de Lolla da maneira que mais lhe fosse conveniente, mas não era isso que sua avó queria. Assim como Faith ela teria que seguir a risca seus conselhos ou nada do que estava previsto aconteceria, mesmo que seu caminho fosse mais sinuoso do que Lolla desejaria.
As primeiras linhas apareceram em sua mente e a carta foi tomando forma. O destino de mais uma de suas netas estava em suas mãos e apesar de ser uma responsabilidade muito grande, era gratificante.
Desta vez as coisas teriam início com um poema especial, uma promessa e um amor doentio...